
Encontrei-a no chão
Lágrima de um choro quase contido
(gota mista de amargura e encanto)
De alguma árvore cujo segredo parece ter sido desvelado.
Apanhei então tal fragilidade entre os dedos:
Aquela folha era um desenho materializado do singelo
Tinha o cheiro e o gosto do lírico
Podia ser a metáfora da minha vida.
De si só sobrou seu esqueleto
Em meio a sua trama há um vazio por onde posso respirar.
Sua sombra é sua aura
Sua alma
Seu espectro
Sua organicidade carcomida
– suas ranhuras –
Formavam o mapa do universo
E por estes labirintos
Meu olhar se perdia
E se deliciava