quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A casa azul



Azul
o gosto do juvenil paladar
Azul
a casa que mora neles


O que são portas,
maçanetas, trincos -
o que são tetos, telhas
a massa corrida
as vigas em vão?


Paredes concretas não moldam os fluidos
os eternos fluxos
os etéreos trecos
os líricos versos nos cantos da sala


No meio do mundo tinha uma casa
Tinha uma casa no meio do mundo

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Fogo no Balão


Clip da música Fogo no Balão - Davi Fuzari e Luana Aires

Desenhos (aquarela, nanquim, marmorizações, lápis) > Luana Aires
Edição, Finalização e Intervenções Gráficas > Davi Fuzari
Câmeras > Davi Fuzari e Luana Aires
Música do disco "Flores Maçãs" de Paulo César Anjinho


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Andar'ilha

mundo meu ardendo em febre, eu vim
lavar rosto e molhar pé nessa baía d'eu, meu sinhô
eu vim sentar um pouco à beira-mim

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A Rosa Negra


"É encerrado em sua solidão que o ser de paixão prepara suas explosões ou seus feitos"

(Gaston Bachelard, A Poética do Espaço)





para Otavio


Olhem bem aquele jovem: cultiva a sua solidão tal qual uma ostra a pérola. É de matéria de solidão que se constroem os muros de sua fortaleza. Solidão que não pesa feito o breu – age, antes, como éter: entorpece e move os primeiros passos para que se adentre nos moinhos do mundo. Solidão que não se traduz em falta – é antes o estar-em-si que tantos de nós temos desaprendido.

Rosa negra – sua solidão é sua rosa negra, cálida e cândida. Semente plantada em seu jardim de quimeras. Cultivada em terra-húmus, no canto de seu canto (o dele).

Como todo bom jardineiro, cuida dessa rosa, todos os dias, com afinco. Quando consegue por fim senti-la arder, é hora de soprar as suas pétalas ao mundo, e é então que essa solidão se dissipa por entre rostos e dentes, baila sua festa por entre as frestas. E é então que essa solidão vive a sua glória.